Robert Mapplethorpe, o gênio da contra-cultura


O trabalho do fotógrafo norte-americano Robert Mapplethorpe se define por grande rigor em todos os aspectos da sua obra, criativos ou técnicos. Mapplethorpe é célebre não apenas por seus icônicos retratos em preto e branco e suas controversas fotografias carregadas de conteúdo homoerótico, mas pela importância de seu nome na cena artística e contra-cultural nova-iorquina dos anos 1970. Homossexual, foi casado com a cantora e poeta Patti Smith – com quem viveu por anos no tradicional Hotel Chelsea,  responsável pelos retratos de capa de quase todos os seus discos. Ambos eram assíduos frequentadores da Factory, sede dos projetos performáticos e em múltiplas plataformas de Andy Warhol e um dos pontos mais emblemáticos e efervescentes da história de Manhattan.

Nascido em 4 de novembro de 1946 e o terceiro de seis irmãos em uma família de origem irlandesa, Robert Mapplethorpe foi educado em uma escola católica no bairro nova-iorquino no qual cresceu, Queens. Após um breve interesse em música, estudou artes gráficas, pintura e escultura no Brooklyn Pratt Institute, mas abandonou o curso antes de se formar. Conheceu Patti Smith ainda na adolescência, e ambos viveram juntos de 1966 a 1974, época em que ela o sustentou trabalhando em lojas de livros. Mesmo após Mapplethorpe se assumir gay, ambos mantiveram um relacionamento extremamente próximo por toda a sua vida.

Começou a se expressar artisitcamente com esculturas e colagens de revistas eróticas, interessando-se por fotografia influenciado por John McEndry, curador da coleção gráfica do Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque. McEndry foi o responsável por presenteá-lo com sua primeira máquina fotográfica, uma Polaroid SX-70. Em 1972, conheceu Sam Wagstaff, seu maior caso de amor e que apoiou sua carreira, inclusive financeiramente. Montou seu próprio estúdio em 1976, já com sua principal ferramenta de trabalho, uma Hasselblad, e uma pequena teleobjetiva que servia basicamente para retratos, além de fundos neutros e flashes. Passaram por suas lentes nomes como Andy Warhol, Debbie Harry, Richard Gere, Grace Jones e Peter Gabriel. Ganhou fama e popularidade ao contribuir para revistas como Vogue e Esquire, mas consagrou-se na cena cultural quando chegou aos museus. Em 1977, realizou duas importantes exposições: uma dedicada à fotografia de flores, outra a nus masculinos e iconografia sadomasoquista.

Em suas saídas, sempre voltava para casa com alguém e, caso este também não o satisfizesse, ele voltava aos bares e começava tudo de novo. Era louco em suas aventuras sexuais e tinha manias: usar caveira como símbolo, dormir em uma gaiola gigante, com lençóis pretos na cama. Tudo isso adquiriu um aspecto trágico ao descobrir que tinha AIDS. E todas as suas vivências se refletiram de forma inequívoca em sua arte, em uma tal extensão que muitos de seus trabalhos são até hoje impedidos de ser exibidos.

Seu auge como artista ocorreu na década de 1980: de uma hora para outra, era citado em todos os lugares. Seus clientes incluíam famosos de Hollywood e membros da nobreza europeia. Também na década de 80, Mapplethorpe contribuiu pra algumas revistas de moda, como a “Vogue” Itália e Paris, e conheceu grandes nomes da indústria: Karl Lagerfeld, Yves Saint Laurent e Loulou de la Falaise.

Em uma época em que a homossexualidade ainda estava distante das manifestações artísticas do século 20, Mapplethorpe explorou ora com delicadeza, ora com brutalidade, o nu masculino, o sexo entre homens e o sadomasoquismo. Mesmo que esses temas bastassem para que causassem controvérsia, suas imagens também apresentavam um conflito: o duplo papel do retratista como observador e participante. A polêmica atingiu seu auge décadas depois, até mesmo após o falecimento de seu autor. Em 1990, a polícia invadiu uma exposição póstuma em Cincinnati e processou o museu Contemporary Arts Center of Cincinnati criminalmente pela mostra – um caso único nos Estados Unidos.

Robert Mapplethorpe é um fotógrafo cuja complexidade e originalidade reside justamente na aparente simplicidade das fotografias. Sua expressão subtrai elementos que muitos considerariam indispensáveis, resultando em imagens ambíguas e misteriosas. Em seus últimos anos, já consagrado, desenvolveu temas e estéticas mais clássicas. Retratou celebridades contemporâneas, continuou seus estudos de flores e faleceu no dia 9 de março de 1989, prematuramente aos 42 anos, vítima de HIV.

Entre auto-retratos, capas de discos de Patti Smith, celebridades e muitas flores (Mapplethorpe as fotografava porque as achava parecidas com um pênis), clique nas imagens e confira um apanhado do trabalho original e crú do fotógrafo, gênio da contra-cultural: 

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