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Bateu a validade mundial do politicamente correto


Bateu a validade mundial do politicamente correto. Acredito que tudo estava bem guardadinho lá dentro do âmago perverso de muitos, esperando uma hora pra eclodir novamente. E essa hora chegou, nesse exato momento de transição que a gente passa. Até que demorou, porque o mundo está há tempos em constante regresso e uma hora ou outra cansa fingir não ser racista, homofóbico, xenofóbico, misógino e por aí vai.

O que acontece agora? Estão todos aí, vestindo uma camiseta verde amarelo, entoando palavras de ordem e de ódio e está tudo bem de novo. Afinal de contas estão todos cansados...Cansados de um negro na faculdade de medicina, cansados de receberem ordens da chefe mulher, cansados de um cara gay mais inteligente e que entrega um projeto de trabalho melhor, cansados de um nordestino que tem prosperidade em seu próprio negócio...Cansados de ver "minorias" se dando bem.

Não sei em que momento da vida me dispus a entender quem eu era e como a cor da minha pele determinaria certos fatos. É muito complexo, porque a gente acorda com a pele negra, passa o dia com a pele negra e dorme com a pele negra. É muito natural isso. Engraçado até, porque não dá pra entender a ameaça real que isso representa.

Desde sempre a gente aprende a lidar com olhares, com xingamentos, com piadas e muitas situações constrangedoras e que te fazem ligar o alerta na cabeça, pois pode dar uma grande bosta a qualquer momento e você se ferrar numa dessas. Sim, só pelo fato de ser negro a minha qualidade de vida, assim como estimativa já é diferente. Obviamente menor. Historicamente é um legado que será levado pro resto da vida. E aí, ainda por cima, tive que lidar com  a minha sexualidade...Duplamente fodido: sou negro e sou gay! E como a gente vive com isso? 

Uma situação de racismo/preconceito mexe com tudo que há dentro de você. Emocionalmente e fisicamente. Aquelas piadas da infância e da adolescência que justificam como coisa de "moleque", aqueles olhares tortos na loja "bacana" que você entra, ou aquele olhar de cima pra baixo, só porque você está bem vestido, sabe falar e sabe se impor...

Já levei escarrada na cara por ser negro - e fiquei horas atônito, sem reação, tentando entender o que tinha acontecido. Já fiquei horas esperando um táxi a noite e nenhum taxista querendo me trazer pra casa. Já perdi vaga de emprego sendo ignorado em entrevista, ainda que meu currículo fosse muito mais capaz do que todos os outros concorrentes (brancos). Sim, situações amenas perto do que é a real violência sofrida por muitos negros e gays nesta pátria amada que é o Brasil. Ainda assim, cenas que dificilmente sairão da minha memória, da minha vida.

Com o tempo a gente passa a reconhecer na expressão do outro uma atitude racista/preconceituosa. E é muito louco isso. É instinto de sobrevivência. E sei muito bem que tive sorte de chegar onde cheguei, de ter a vida que tenho e de até hoje não ter passado por uma desgraça aí em qualquer esquina. Estou vivo. E com essa "mudança" toda que está por vir, este Brasil que vai deixar de ser "socialista", estarei mais que preparado e alerta. Afinal, quando é que foi mesmo que deixei de estar?
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Anok Yai é a modelo da temporada!


Prada: sinônimo de contemporaneidade, referência absoluta no mercado de moda de luxo mundial. Eis que em seu desfile de Inverno 2018, apresentado nesta quinta-feira (22), em Milão, uma modelo chamou atenção ao abrir a apresentação da tradicional casa italiana: trata-se da sudaneza Anok Yai. Junte aí Lineisy Montero, Eniola Abioro, Imari Karanja, Oumie Jammeh, Binx Walton, Adut Akech e Blesnya Minher. Todas negras, também na mesma passarela.

Desde 1995, quando Naomi Campbell foi escalada pra um desfile da Prada, demorou anos pra outra modelo negra representar a casa milanesa. Coube à inglesa Jurdan Dunn quebrar tal hiato na Primavera/Verão 2009. Em 2013, a queniana Malaika Firth desfilou e estrelou a campanha de Inverno daquele ano. Anteriormente, apenas Naomi Campbell (ainda bem que ela existe!), havia aparecido em uma campanha da marca. Isso em 1997...

O casting de modelos da Prada é sempre considerado um termômetro de rostos quentes e frescos pras temporadas de moda subsequentes. Ashley Brokaw, atual diretora de casting da marca, tem se saído muito bem nesta questão, já que nenhum desfile entre NY, Londres, Milão e Paris chama tanta a atenção ou promove tanto uma modelo quanto ao da Prada. Novos nomes nascem e se firmam no mercado ali. Ou somem ali mesmo, como no caso da modelo Yulia Kharlapanova, que na Primavera/Verão 2009, de uma queda foi ao chão devido a um desconfortante e vertiginoso salto de 30 centímetros. Depois disso, ninguém mais ouviu falar da modelo. Portanto, os olhos de editoras (oi Anna Wintour!), imprensa especializada, grandes grifes e fashionistas de plantão estão todos sempre voltados à passarela da Prada.

Ashley Brokaw está ditando regras, impulsionando de fato a tal diversidade de beleza. Assim como faz Miuccia Prada, ao implantar o empoderamento feminino em suas criações e discuti-lo em suas campanhas. E moda, assim como beleza, independe de etnias, não é mesmo? Moda depende do novo, do exclusivo, do desejo. E claro, do consumo. Ter Anok Yai abrindo um desfile e protagonizando uma campanha de uma marca italiana mega tradicional, é sinal de que mudanças, ainda que pequenas e pontuais, apontam pra uma nova direção. E ainda temos Paris... 

Clique aqui e confira o desfile de Inverno 2018 da Prada.
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Racismo tecnológico e o milagre equivocado dos algoritmos


Algoritmo é um assunto que parece distante, mas está aí toda vez que acessamos o Google, o Spotify, o Youtube, o Facebook...A gente encontra o que gosta nas pesquisas sem mesmo terminar de informar o que procura. Se depara com vídeos de acordo com nossas afinidades e ouve playlist de música como se fosse feito sob medida não é verdade? 

A tecnologia artificial nos conhece mais do que mãe e pai! Mas e quando os algoritmos falham? Quando a leitura facial, por exemplo, não reconhece traços negros ou asiáticos? Cadê a mágica? É meramente um acaso? Não, não é mágica nem acaso, já que quem desenvolve esta tecnologia são pessoas caucasianas e que se sentem confortáveis no seu status de grupo aceitável na sociedade. Testes são feitos com seus próprios rostos caucasianos deixando de lado a diversidade. Não importa, desde que o sistema funcione e dê resultado. Um exemplo que parece bobo - mas de bobagem não tem nada - é o site pt.meow-share.com, que aparece aqui no Facebook mesmo, com aqueles testes que a gente fica matando o tempo quando espera ser chamado pra consulta ou algo do tipo: "Qual celebridade você se parece?", "Quem você era na sua vida passada?", "Quem você parecerá quando for avó/avó?", "Como você seria se fosse uma Barbie?"...Vejam aí as fotos e tirem suas conclusões...

O ponta pé já foi dado e estamos aí frente a um racismo e segregação tecnológicos que por enquanto não temos noção da proporção que irá tomar. Google e Flickr já mostraram resultados de reconhecimentos de imagens temerosos, como gorilas e chimpanzés quando deparados com imagens de pessoas negras. E o que eles fizeram? Retiraram o resultado de pesquisa. Tipo uma gambiarra. E assim está tudo certo? Não, não está, porque reconhecimento de face é uma tecnologia que estará cada vez mais presente no nosso dia a dia e que trará falhas irreversíveis por falta de interesse dos CEOs, que acham que os 5% de erro estão dentro de um padrão aceitável. E é justamente dentro deste 5% (na conta deles) que entram as "minorias".

Quando você negro(a) fizer um teste bobo do tipo "Qual celebridade você se parece?" e o resultado for uma Marilyn Monroe ou um Leo DiCaprio, não ache isso engraçadinho. Isso na verdade é uma reprodução do racismo interno de quem produziu o teste e que não incluiu você como target para este tipo de produto.

A tecnologia que era para resolver e ajudar reforça ainda mais os estereótipos e preconceitos. Isso que nem toquei no assunto de gênero porque a situação só piora...


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Música ruim nos clubs, saudosismos e afins


Sou do tempo que a gente saía de casa pra ver Laurent Garnier , Tood Terry e o David Morales discotecar. E quando digo pra ver, digo ver ao vivo mesmo! Ok, estou velho (42 bem vividos), mas agradeço imensamente a oportunidade de ter acompanhado o surgimento da cena eletrônica no país, de ter feito parte da história de toda uma era clubber, do pajubá todo e ter usado t-shirt fluo. 

Em uma década nem lá tão longínqua, nosso tipo de diversão era muito interessante: nos 90, tudo era novo ("moderno"), mais ou menos estruturado - quando não, bem tosco. A gente nunca sabia onde era o endereço certo da balada, ainda mais quando era open air. A famigerada rave. Como é que vivíamos sem GPS naquela época, realmente não dá pra explicar, mas nos virávamos muito bem com mapinhas feitos à mão. Não tinha palavra que descrevesse a alegria de chegar no ponto desejado, ainda que tivesse que andar mais uns 40 minutos a pé...Uma época que todo final de semana era uma festa que não tinha fim... 

Um burburinho infinito de abrir uma boate aqui e uma boate acolá, de atravessar rodovias e fronteiras. De ficar atolado na lama e nem ligar pra isso. De tomar bebida adulterada e acordar lindamente no dia seguinte. Do Êxtase não bater porque era puro placedo vendido a preço de ouro - e a gente jurando que estava derretendo. Do look realmente derreter porque apostou no DIY de uma saia de papel celofane. De dançar de braços erguidos e saldar o sol quando nascia. De sentir a brisa no rosto e saber, meio que inconsciente, de que estava fazendo parte de algo muito maior...E assim foi a cena dos anos 90 e início dos 2000, pautada ainda por muita, mas muita boa música...Mesmo. 

O DJ era literalmente o rei da festa. Sabia disso? Sim, mandava em toda a bagaça e realmente tudo girava em torno dele. Ele quem pontuava o que o público ia sentir e como passaria a noite. Fazia da gente verdadeiros bonecos experimentais. E isso era muito bom. O arrepio de ouvir The Chemical Brothers pela primeira vez, por exemplo, um The Prodigy que seja. É indescritível. 

Da caixa de fósforos ao superclubs, o DJ estava sempre presente e com um feeling todo especial para o seu set, assim como para o público. A gente já sabia, por exemplo, que o Luiz Pareto ia trocar de peruca, mas além de divertido, era sempre uma novidade vê-lo tocar. A gente sabia que o DJ Marky ia pegar pesado. Ainda assim, era sempre uma experiência de sair fora do corpo. Mas também, todo mundo sabia que em algum momento algo de novo ia despertar a atenção e por alguns minutos deixar a gente ali, parado no meio da pista pra tentar identificar a batida, pro cérebro assimilar que som era aquele. DJ que era DJ trazia "conceito", palavra tão achincalhada nos dias atuais... 

Renato Cohen, Marky, Anderson Noise, Luiz Pareto, Magal, Dolores, Zé Pedro, Mau Mau, Glaucia ++, Renato Lopes, Felipe Venâncio, Mauro Borges, DJ Hum, Memê, Edu Corelli,l que me apresentaram o novo, o underground, o fino, o irresistível...Os especialistas Julio Cesar, Diogenes Santos, Cesar Machia, Ricardo NB...Minhas primeiras referências da cena queer local e seus fundamentos musicais e underground. Sem contar os adolescentes precursores da e-music na cidade: Lucas, Tato e Gabi, Felipe Negrão e Julian Hideki, que discotecavam como adultos. A label Colors, dos queridíssimos irmãos Captain Wander e Jota Wagner, que fez me apaixonar perdidamente e eternamente pela house music...Os afters intermináveis da Alôca...O Skol Beats...

Sem saudosismos ou até mesmo sem desejar que as coisas voltem a ser como eram antes, a música boa e de qualidade faz muita falta nas pistas dos clubs...Ah, como faz! As exceções são raras e com tanta coisa ruim que tem por aí, nem o poste dança!

Pra finalizar, um belo hino, onde muita coisa começou:

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A "Cura Gay"


Então tá: um grupo de psicólogos se acha no direito de fornecer terapias de reversão sexual para LGBT´s, alegando que existam interessados nesse tipo de assistência psicológica (o que é fato). Vão lá com o juiz federal, que não vê motivo plausível no perigo desse tipo de assistência (ainda que tais terapias já foram provadas cientificamente de que não possuam resolutividade alguma), e concede uma liminar para o tal grupo colocar o tratamento em prática em todo o território nacional.

Acima dos céus e acima de tudo, o grupo de psicólogos e o tal juiz federal (que querem mais é aparecer - Oi Eleições 2018!), ignoram as decisões de órgãos como a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o Conselho Federal de Psicologia (CFP), a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Anistia Internacional. Se desde 1990, por determinação da OMS, a homossexualidade deixou de constar na lista de doenças mentais, como é que em pleno século XXI voltamos a ser considerados doentes e necessitados de tratamento? Se desde 1991, quando a Anistia Internacional instituiu a discriminação contra homossexuais como uma violação dos direitos humanos, como é que em 2017 a Justiça Federal do Distrito Federal permite esse perigoso retrocesso?


Simples: além dessa onda de conservadorismo explícito que assola o planeta, a sociedade retrógrada, preconceituosa e coronelista do Brasil nos vêem assim: doentes. Nossa orientação sexual é passível de escolha, de uma simples opção e se houver uma prevenção, não existirão mais homossexuais no país. A partir de agora, e perante aos olhos coniventes de toda a sociedade, seremos os ratinhos de laboratório sob foco de testes e pesquisas, com tratamento de choque e várias sessões de estupro corretivo. Não tão diferente do que já acontece, sendo que o Brasil ocupa a liderança mundial no ranking de violência contra a população LGBT. E por aí já existem muitos psicólogos e psiquiatras que oferecem tratamento de reversão sexual, mas que agora, poderão divulgar claramente seus serviços, amparados por uma liminar assinada por um juiz federal.


Conforme dados do GGB (Grupo Gay da Bahia), no Brasil, a homofobia mata uma pessoa a cada 25 horas, levando em consideração os casos relatados. Não temos leis e muito menos políticas públicas que nos garantam segurança e liberdade de ser o que somos. Homofobia não é crime no país. E mesmo quando um órgão como a OMS não nos considera doentes, uma liminar agrava ainda mais o risco de sermos atacados nas ruas a qualquer hora do dia. Se não mortos, acabamos numa guia espancados e com sequelas. Ainda assim, muitos vivem dentro de uma bolha, em uma vidinha ordinária, envoltos na sorte de uma aceitação e respeito de familiares, amigos e ambiente de trabalho. Essa mesma sorte faz com que se considerem isentos de qualquer tipo de ataque contra a sua orientação sexual. Para tais, quem sofre homofobia é gay afeminado. Gay periférico. Mas o fato é que nenhum homossexual está livre desse tipo de situação.


Sim, são muitas pautas. Estamos aí na maior crise política e econômica já vivida por este país. Mas a tal da "cura gay" não pode ser tratada apenas como um factoide para desviar a atenção do que realmente importa. Não dependemos apenas de resoluções políticas. Dependemos também da luta contra questões sociais que podem determinar o que devemos ser. O que é aceito. O que é certo aos olhos de uma gestão não laica que gera esse país. E sim, uma determinação como essa, da "cura gay", com o respaldo da Justiça Federal, é mais que um precedente para aumentar os índices de homofobia no país.


Enquanto não nos unirmos de verdade e declararmos guerra, continuaremos a correr sérios riscos. Enquanto transformarmos desgraças em memes ou piadas, continuaremos sem Legislação alguma que garanta nossos direitos quanto cidadãos LGBT´s. E não, não vivemos em uma democracia. Existem cabeças com muito poder de articulação que pretendem nos excluir da face da terra. Seus planos já estão há tempos em execução. E se não formos agredidos ou assassinados com a ajuda de liminares, discursos inflados ou a clara e total falta de apoio de governantes, seremos retirados à força de dentro de nossas casas, envoltos numa camisa de força e direto pra rehab. Lá, nos aplicarão a "cura gay", totalmente amparada pela Justiça Federal.


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O Amor nos Tempos dos Apps


É gay, tem um smartphone, está solteiro e à procura? Com certeza deve ter algum aplicativo de relacionamento instalado por aí, não é verdade? Se negativo, pode parar sua leitura por aqui, porque este post não é pra você.

Sensação dos relacionamentos atuais, os aplicativos (ou apps) estão aí para aproximar pessoas, dar aquela forcinha no encontro da sua alma gêmea, colocar você na pista pra negócio, arranjar um cobertor de orelha pra uma noite de solidão, uma pulada de cerca, um papo e uma cerveja, uma suruba ou seja lá o que você procura. Tudo apenas um clique no seu Android, iPhone, iPod touch, iPad ou Blackberry OS. Instalá-los através da App Store ou Android Market/Play Store é a coisa mais prática que existe. O que as vezes não é tão prático é saber realmente o que os milhares de usuários que os habitam realmente procuram... 

Uma das características desses apps é colocar em evidência pessoas que estão próximas a você. Outra é que os perfis se repetem, até com as mesmas fotos e descrições. Falta criatividade quando a questão é seduzir alguém por imagem ou por texto já que todos são extremamente saudáveis (ainda que exigindo sexo bareback), lindos, discretos e sigilosos. E casados. E comprometidos. Mas uma coisa em comum é o que procuram: sexo. Apenas. 

Há exatamente um ano me viciei nessa porra, coisa de a cada cinco minutos dar uma olhada e ver quem estava por perto. Em casa, na rua, no shopping, no bar, na balada. No inicio a intenção era até encontrar um "namorado". Por que não? Ainda mais que estivesse próximo de casa. Afinal o app é uma rede geossocial e funciona pra isso, pra te mostrar quem está próximo e afim. Encontros foram muitos e as transas também. Tipo da situação de que se você não se controlar acaba por encontrar sexo todos os dias, todas as horas, todos os minutos. Mas um tipo de sexo fisiológico, que no fim te deixa pior do que estava quando se deitou em uma cama desconhecida pra transar. O vicio foi tanto que já cheguei a marcar quatro encontros em um único dia. E sei que tem gente por aí que marca muito mais e o que era pra ser algo agradável e prazeroso, se tornou pura compulsão. Carência? Sei lá...

Diante de tantas possibilidades, como sobreviver e encarar os tempos em que os aplicativos se tornaram um dos meios (senão o principal) de se encontrar caras interessantes pra um possível relacionamento?

Uma coisa você aprende e bem rápido: apps de relacionamentos foram feitos pra pegação. Pelo menos a intenção da maioria é essa. Até hoje foram poucos os casos que ouvi onde relacionamentos duradouros começaram numa pequena tela touch. A exceção maior é de um amigo muito querido e que está feliz da vida com seu namoro, iniciado em um desses aplicativos. Tipo de coisa chamada destino, aquelas histórias que fazem com que você acredite que existe a possibilidade de que também aconteça com você. Mas isso leva tempo e de repente seu destino nem está traçado através destas redes, mas firmes e fortes a gente tenta. As vezes acertamos e as vezes quebramos a cara mesmo.


Como se trata de pegação, as preferências sexuais são sempre as mesmas. Se você é ativo, suas chances de um encontro crescem 100%. Se você é versátil, cai pra metade. Digo versátil considerando a possibilidade de não se satisfazer por completo, pois a maioria procura um cara ativo para suas transas. E o engraçado é que mentem quanto a isso. Talvez pelo fato de que assumirem sua preferencia como passivos, o machismo interno de cada um acaba por ferir seus instintos e necessidades reais. E a verdade é que todo mundo procura uma boa rola pra sua satisfação, mas a vergonha ou medo de afastar seu possível pretendente fala mais alto. Aí entram as enganações e omissões. Em tempos de práticas sexuais egoístas, se você não estiver adaptado às variações que essas práticas exigem, pode ficar eternamente sozinho. Ou acompanhado com seu belo e eficiente dildo. As vezes vale até mais a pena. Portanto, na hora da tal pergunta infame "O que você curte?", seja sincero e peça sinceridade.

O anonimato permite a presença de muitos homens casados e enrustidos. Ambos encontraram nos apps uma forma de colocarem seus desejos sexuais em prática e se é essa a sua predileção, pode se dar muito bem nessa categoria, já que um cara comprometido ou enrustido nunca irá te assumir perante qualquer situação. Mas ao menos as transas estarão sempre garantidas e isso é o que importa, não é verdade? Opções é que não faltam mas nunca sugira algo além de uma transa casual, senão eles vão cair fora rapidinho.

Um fato peculiar acompanhado nesse 1 ano de apps é observar as exigências: não fumante, não drogado, não afeminado, não chato, não feio, não gordo, não magro, não preto, não peludo, não velho, não-não-não e NÃO! Geralmente partem dos usuários que se classificam os mais sarados, os mais limpos, os mais discretos e os mais belos. Mas como se explica o número de sujeitos tão perfeitos e ainda assim disponíveis nesse mundão? É claro que cada um tem sua preferência ou exigência, assim como o que nos atrai, o que nos satisfaz e por aí vai. Mas quanto ao funcionamento de um aplicativo, alguns discursos soam como puro preconceito. O que procuram no final vai de acordo com a contra-proposta oferecida e um ponto é fato: tudo gira em torno de uma rola. Lembre-se disso. E muitos desses usuários "perfeitos" acabam por ter atitude no celular, mas na balada, no bar, no shopping ou na rua, passam por você e não dão sequer um "oi". Mas aí te encontram no aplicativo e começam um flerte chinfrim, com aquela história de que te viu sei lá onde mas não teve coragem de chegar junto. Sei...Uma boa rola passa sempre por cima de todas as exigências e perfeições. E acredite: um cara assim nunca irá te assumir e além de tudo deve ter defeitos homéricos...


Uma coisa que você também aprende é a urgência que certos usuários apresentam para partir logo rumo a um encontro imediato. Quanto mais rápido, melhor. Assim, papos com introduções como "O que você faz da vida" ou "Que tipo de música você gosta" nem cabem nessa situação. Pelo contrário. Vão entediar seu pretendente que na verdade está afim de uma coisa apenas: transar e nada mais. Portanto, fique atento a determinadas perguntas como: "Tem local?". Já é uma grande deixa e também uma conclusão de que esse encontro não irá durar mais do que algumas horas. E torça pra que o cara tenha pelo menos uma boa pegada porque além de tudo, essa urgência geralmente é o prenúncio de uma transa bem ruim.

Se de um lado existem os apressados, do outro existem os enrolados, aqueles que no inconsciente pensam que desejam algo além de um sexo casual. Aí batem altos papos, trocam altas intimidades, mas na hora do encontro te levam diretamente pra cama e aquele papo gostoso, iniciado no app e transposto pro Whatsapp, não passa de um breve sonho, uma breve historinha pra gay dormir. No começo até caía nessa e achava que havia encontrado um cara diferente, mas no final a gente aprende que é mais um tipo de perfil. Já cheguei a perder um mês inteiro conversando com um cara até que a transa rolasse e depois que rolou, nem um "Oi" no dia seguinte. Pensei que havia sido ruim pra ele, mas não, o que ele realmente queria era uma transa casual, mas tinha problema em aceitar seu perfil de putão. Nesses casos, aceite que dói menos e aproveite a situação gozando bem gostoso. Esse tipo de cara não vai mais te procurar. Ou até vai, mas somente naquele momento em que pintar o tesão. 


Em tempos de aplicativos, o mais importante é ter a autoestima em dia. No jogo que se torna a busca por um par podemos estar tão carentes e fragilizados que tomamos certas atitudes nem sempre assertivas. Como sair de madrugada, por exemplo,  ao encontro de uma pessoa que você nem sabe se existe, ou ainda correr sérios riscos diante de uma inconsequência. Sexo é bom e todo mundo gosta. As vezes na vida é interessante ter um pouco de aventura. Mas saiba os seus limites e até que ponto vale a pena se arriscar. Cuidado também com as fotos que você compartilha. Afinal, encontramos todo tipo de perfil e não sabemos de fato o destino dessas fotos. Existem muitos fakers cujo interesse é apenas o fetiche de ver quem está do outro lado. Já passei por uma situação em que o match compartilhou fotos minhas com amigos em uma mesa de bar. Foi uma situação constrangedora. Curiosidade existe e é saudável, afinal uma das intenções é esta, conhecer previamente quem está do outro lado. Mas evite troca de fotos inúteis, fotos intimas que mostram seu rosto e principalmente: se não estiver afim de trocar nudes, simplesmente não troque. Como diz um amigo, nas abordagens em que o usuário pede para ver nudes sem ao menos dar um "oi", ele nem dá uma resposta e bloqueia de imediato o infeliz.  

Com o tempo você acaba perdendo certas inocências perante à engrenagem desses aplicativos. Vai aos poucos entendendo a característica de cada um, o discurso dos caras e o que eles procuram. Uma evolução da paquera, já que ninguém precisa sair aleatoriamente na rua e exercer a antiga "caça". Aquelas das boas, que a gente olhava no olho, sentia cara a cara o tesão do outro e partia pra sedução ou pro sexo. Sim, era assim  antes, quando o amor não tinha um aplicativo pra fazer toda a mediação. Se era mais simples? Talvez. Se era mais fácil? Não sei, mas que temos um mundo de possibilidades nas mãos, isso é inegável. E muito boa sorte nessa sua busca, seja por amor, seja por sexo, seja por fetiche, seja por aventura ou seja lá pelo que for. Ainda que em tempos de apps, nunca se esqueça de que relacionamentos não chegam prontos e não possuem fórmula. Relacionamentos são construídos pela convivência, pelas afinidades e diferenças.

P.S. Ainda continuo a minha busca. Afinal não sou bobo, nem nada. Estou lá no Grindr, Growl, Hornet e Scruff, aprendendo a cada dia como lidar com o amor nesses tempos de apps...

1. As imagens que ilustram essa postagem são da campanha de verão 2015 da Diesel e sua Hero Fit Underwea, onde a aposta do conceito foi de encontro às selfies de aplicativos de pegação como Grindr e BoyAhoy.

2. O título dessa postagem é uma referência à obra "Amor nos Tempos do Cólera", de Gabriel García Márquez,  publicado em 1985. 
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Preconceito não é coisa que se brinca


"só eu me incomodo com comentários racistas no Brasil?"

sim

só você
o último Navio Negreiro
Xica da Silva da RMC
Antártica Black em promoção
sobrinha distante de Josephine Baker
a escrava que cuspiu na xícara de chá da Princesa Isabel
devoradora de banana da terra
bonequinha de piche exótica
Neguin' do Pastoreiro
modelo infantil da caixa de cigarros de chocolate da Pan
diferentona
à frente de seu tempo
defensora dos fracos e oprimidos
cabeça de fósforo queimada
filho bastardo do Mussum
Vera Verão
emoji étnico
e talvez, mais de 10.560.287 milhões de brasileiros negros no Brasil também se incomodem. Dados da população negra e parda segundo o IBGE em Abril de 2015.

Parto do meme do momento para um editorial baseado em fatos reais. E que começa assim:

Quiosque "chic" (daqueles que se garantem só pelo nome) de shopping. Entre um café e outro, passa um menino pelo corredor. O radar apita e está na cara que é gay. Vejo olhares e risadinhas de sarcarsmo de um grupo que deu de frente com a bichinha. "Vai poderosa!". Não se deu por rogada. Jogou a franja e foi. Essa é das minhas, pensei. Um amigo que estava sentado comigo e com o radar também ligado, fez mais ou menos o seguinte comentário: chamar um cara que é pedreiro de "peão de obra", uma feminista de "lésbica", um branco de "branquelo"...Isso não dá em nada no Brasil...Mas vai ofender uma bicha...Dá um baita processo. E o pior! Vai chamar um negro de PRETO, NEGÃO ou de MACACO...Dá cadeia! Crime inafiançável!!!

Bom: o amigo em questão que é da raça branca e homossexual assumido, está inconformado com essa injustiça e acha que tudo não passa de vitimismo da NEGRADA. De repente, fere até a liberdade de expressão, não é mesmo? E acha normal chamar uma feminista de lésbica - porque ele acha que são mesmo. Normal também chamar um negro de macaco - porque na visão dele todo mundo se parece com algum animal.

Todo mundo sabe que no Brasil existe um gigantesco discurso de racismo e preconceito ocultos. A gente tem que ficar bem atentos para quando e como esse discurso aflorar. As vezes em piadas, olhares ou atitudes. Ou comentários como acima, logo disfarçados por um sorriso sarcástico. Mas alguns têm que entender de que não adianta se passarem por bonzinhos e amigos da galera. Uma hora derrapam. E eu prefiro mesmo que derrapem porque assim, posso saber com quem realmente estou lidando.

"Não tenho nada contra, eu tenho um amigo negro. Você!"...Conheço tão pouco o cara, mas já me elevou pra categoria de amigo. Mas de onde veio essa liberdade? Tenho amigos de vinte e tantos anos de amizade que brincam comigo. Dei essa liberdade. "Tá mas eu falei brincando com você". Eu sei que não falou. Quando você está entre pessoas que ama, pessoas que te conhecem a fundo, sabe muito bem o que é brincadeira. Tenho um amigo que fala "e aí pretinha?" toda vez que me liga. Eu respondo "e aí queridinha" e damos risada. Desmistificamos certas palavras. Questão de afinidades paralelas ao desenvolvimento emocional de cada um. Ele foi expulso de casa por ser gay. Superou. Ser chamado no feminino não acarreta mais nenhum trauma. Mas se alguém que ele não conhece disser "e aí queridinha?", vai achar no mínimo estranho. E não vai gostar.

Muitos vão dizer que TODO mundo tem os seus pré-conceitos. Tá ok. Eu tenho os meus: não misturo macarrão com outro tipo de comida no mesmo prato, por exemplo. E por questões óbvias e de sobrevivência, odeio todo mundo que odeia gay. E odeio todo mundo que odeia negro. Se esse ódio é justificável ou não, me julguem. Agora: praticar atos de racismo, sexismo, xenofobia, homofobia e afins? Questão de formação, falta de informação, seja o que for. Mas discernimento, educação e bom senso, fazem parte de um desenvolvimento saudável de uma mente segura. Com respeito, aceitação e entendimento das diferenças humanas.

Indo um pouco mais longe: existe uma categoria de bichas, como a do comentário acima: branca, de classe média e nível universitário. Passam livremente por qualquer ambiente, pois se orgulham de serem machos, já que conseguiram superar o bullying sofrido no ensino médio à base de muita terapia e academia. Agora, olham tudo por cima do muro, como se nada fosse com elas. Torcem o nariz pras afeminadas e convivem em grupos fechados. Excluem tudo o que é diferente. E reproduzem no seu eco-sistema de estrobo, tribal house e drogas sintéticas, todo e qualquer tipo de preconceito. Assim como a homofobia. De forma inversa.

Depois de um certo arrependimento e algumas justificativas por parte da ex-amiga bicha e algum terrorismo da minha parte, terminei o papo mais ou menos assim: quando você estiver dentro de uma loja sendo encarado por vários olhares desconfiados, quando na rua, uma mulher te olhar e segurar a bolsa contra o peito e mudar correndo de calçada, quando um taxista inventar uma desculpa pra não fazer a sua corrida ou, simplesmente, ouvir o cara que você está afim dizer "não tenho nada contra, mas não sinto tesão pelo seu tom de pele", a gente troca uma ideia. Pedi minha conta, paguei e falei tchau. O cara, desculpe aí. Eu não sou racista não. Tranquilo querido. A gente se fala depois.

Vim embora pensando o seguinte: convivi minha infância e adolescência com um bando de crianças malditas e racistas. Eu era o único negro da escola. O único negro da rua. Desde cedo ouvi muitas piadas sobre "o negrão isso e o negrão aquilo". Já tive muitos apelidos. Já me magoei muito por dentro e me questionei por qual motivo era tratado assim. Porque crianças são tão malditas? Chega uma hora que não se trata mais de reprodução daquilo que se vê em casa, mas sim de raciocínio de ideias, pensamentos e preconceitos próprios. De forma instintiva, aprendi a superar e criar mecanismos de defesa. Sobrevivi. No final da adolescência me afastei. Adulto, escolhi os meus amigos. Negros. E que de certa forma me ajudaram a encontrar a minha identidade.

Séculos de história toda pautada na segmentação, na exploração, na falta de respeito e desigualdade. Privação! Na não possibilidade exata de entender a sua origem. Correndo riscos só pelo fato de a pele ser negra. E muitos aí querendo que a gente volte pra senzala. Me poupe viado. Pior mesmo só aquela icônica frase: "Nossa, você é um negro de alma branca!". Me poupe 19 mil vezes, caralho!

A gente não pode mais se calar diante de certas situações.

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David Bowie parte e nos deixa com um pouco menos de brilho


A música perdeu um de seus ícones eternos: David Bowie. Interessante acompanhar as reações nas redes sociais e verificar as opiniões, que vão desde a sincera tristeza, até mesmo despeito e cinismo para com aqueles que se comoveram com tal situação. Nascido David Robert Jones, em Brixton no sul de Londres, em 8 de janeiro de 1947, a carreira de David Bowie na música durou praticamente 50 anos, sendo sucesso comercial e de crítica especializada. Vendeu mais de 160 milhões de álbuns. Foi premiado diversas vezes, incluindo dois Grammys, dois British Awards, três MTV Video Music Awards e um Emmy. No cinema, participou de filmes que até hoje são ícones da cultura pop. Em 2013 surpreendeu o público com o lançamento do álbum "The Next Day", o primeiro trabalho depois de um hiato de 10 anos.

Kate Moss incorpora David Bowie, mais especificamente Ziggy Stardust, alter-ego do artista, na capa da Vogue Paris de dezembro de 2013. Uma das imagens de moda que mais me marcou recentemente.

Sou fã de Bowie. Desde "Labirinto, a Magia do Tempo"(1986). Quando assisti ao filme, tinha apenas 11 anos, época que não sabia quem era David Bowie. Mas fiquei apaixonado - e com medo - do "Jareth". A imagem que aquele personagem representava, despertava em mim a mesma atração e fascínio sentidos por "Sarah Williams", a heroína vivida por Jennifer Connelly. Os amiguinhos ficaram contentes com a história fantasiosa de aventura. Eu fiquei apaixonado por um personagem que cantava uma das músicas mais lindas que já tinha ouvido até então: "As The World Falls Down". E olha que eu, naquela altura, já tinha uma vivência musical composta por muitos clássicos da "Era de Ouro do Rádio" em discos de 75 rotações, muitos standards da música popular americana e muita MPB. Já adolescente, assisti "Fome de Viver"(1983) e "Furyo, em Nome da Honra"(1983). No "Som POP" (1989-1993), programa de clipes exibido pela TV Cultura em uma era pré-MTV Brasil, Kid Vinil apresentava hits como "Let´s Dance" e "Fame".


Mais tarde, me deparei com a figura de Ziggy Stardust: anos 90, underground, raves e afins. Época em que a androginia fazia parte da vivência noturna em looks flúor, cabelos cor de laranja e sobrancelhas depiladas. Tinha um pouco de Bowie ali, naquela experiência toda. Através de um amigo de conceito musical estratosférico, conheci uma loja de discos no centro da cidade, bem alternativa, e adquiri uma coletânea de Bowie. Foi ali que me encontrei com a fase glam do artista que iria me fascinar ainda mais daquele ponto em diante. "Life On Mars" é até hoje uma das minhas preferidas. E sempre será.  



Passei a estudar sobre moda em 1993. Bibliografias não eram tão comuns e acessíveis, mas alguns anos depois, com o advento da internet, o acesso à informação de moda ficou um pouco mais fácil. Impossível não ver sazonalmente uma matéria ou uma coleção sob influência da imagem de Bowie. E se hoje a moda caminha para uma discussão de gêneros e prega justamente a falta dele, Bowie, com seu visual glam e atitude hedonista, um verdadeiro conjunto questionador, transgressor e provocante, já era uma lenda nos anos 70 ao lançar para o mundo personagens como Ziggy Stardust e Aladdin Sane. O filme "Velvet Goldmine"(1998) nos deu um gostinho do que era o glam rock, muito da direção seguida pelo movimento eletrônico dos anos 90.


Tanto na moda, quanto na música, David Bowie sempre soube se reinventar. Sem ficar preso a padrões, também flertou com a música eletrônica com o álbum "Earthling" (1997), fase que também rendeu a linda "I'm Deranged", trilha de abertura do filme "Lost Highway"(1997), de David Lynch.


Anos depois, a admiração não poderia estar completa sem a exposição "David Bowie". A retrospectiva sobre a obra do artista foi concebida em Londres, no Victoria and Albert Museum e exibida entre janeiro e abril de 2014 no MIS (Museu da Imagem do Som), em São Paulo. Ver de perto o macacão Tokyo Pop assinado por Kansai Yamamoto e a bota plataforma vermelha, ambos usados na turnê do álbum "Aladdin Sane" em 1973 e o terno azul de "Life on Mars" causou muita emoção e vários arrepios sensacionais na espinha. Recentemente, a homenagem prestada na quarta temporada de "American Horror Story - Freak Show" também vai entrar para a história, quando "Elsa Mars", personagem de Jessica Lange, performa nada mais, nada menos que "Life On Mars".


Com 50 anos de carreira, David Bowie deixou um relevante e brilhante legado musical. E para quem viu o clipe, quase curta-metragem de "Black Star", single de seu novo álbum, assim como "Lazarus", de repente sabe que naquelas letras e imagens já havia algo soturno e sombrio. Já havia um aviso. O álbum "Blackstar" foi lançado oficialmente na sexta (8/01) e já é considerado uma obra-prima pela crítica especializada. David Bowie faleceu aos 69 anos, no último domingo (10/01), após 18 meses de batalha contra um câncer. Dois dias depois de seu aniversário.

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Drees Code: Padrão ou Proibição?

Você jé deve ter se deparado com a seguinte ocasião: um convite para uma mega festa junto a uma insegurança na cabeça do que vestir para sair bem na foto.

O guarda-roupas vai abaixo, nada se encaixa, e tudo piora quando você lê nas letras miúdas do tal convite a palavra DRESS CODE. Aí, uma simples exigência de vestuário, se transforma em uma esquizofrenia fashion, que coloca você em uma perigosa zona de insegurança ao prever que pode não estar de acordo com um determinado padrão.

O que significa:

“Dress Code” nada mais é que um código de vestimenta. Na história pode ser classificado como uma forma de segmentar determinadas classes sociais. Ele define padrões de vestimentas para ocasiões, culturas e sociedades diferentes: no Egito antigo, escravos não se vestiam da mesma maneira que seus reis. Na Inglaterra do início do século XX, havia para a burguesia uma especificação de roupa para cada período do dia. Anos depois, no Studio 54, quanto mais exótico era o visual, mais se agregava valor aos seus frequentadores.

Obviamente, no decorrer da transformação da civilização, certas exigências deixaram de ser obrigatoriedade. Ainda que na empresa em que você trabalhe, deve existir um manual do que é aceito ou não como código de vestimenta formal, nas ruas, a tal democracia da moda faz com que a engrenagem fique em prol de cada indivíduo, que determina com propriedade a sua forma ideal de vestimenta. Uma dica interessante é a leitura do livro “História do Vestuário” de Carl Köhler. Editado pela Martins Fontes, o autor explora épocas distintas da história da humanidade, traçando um verdadeiro e detalhado estudo de como a roupa expressa em definitivo as mudanças da nossa civilização.

Códigos de vestir:

Dicas de leitura a parte, parece que estamos regredindo séculos na evolução da moda, fazendo com que toda uma revolução seja renegada em poucas e massacrantes linhas. Exigir dress code em eventos sociais não é algo raro. Muito menos errado. Pelo contrário, TRAJE ESPORTE, PASSEIO, ESPORTE FINO OU TENUE DE VILLE, PASSEIO COMPLETO OU SOCIAL, BLACK-TIE, TENUE DE SOIRÉE OU RIGOR são habituais nos convites mais badalados que rondam por aí. O problema é entender o que significa cada especificação.

Prova disso foi o MET Gala deste ano, tradicional baile que abre a exposição do Metropolitan Museum of Art de Nova York. Organizado pela poderosa editrix Anna Wintour, o dress code do baile seguia o tema da exposição do museu: “Charles James: Beyond Fashion”. E já que James ficou conhecido como o primeiro estilista de alta-costura dos Estados Unidos, claro que o convite exigiria o WHITE TIE (casaca para os homens e longos, decotes, brilhos e jóias para as mulheres). Para quem acompanhou o tapete vermelho do baile, pôde conferir um desfile de fiascos.

Simplesmente porque certos códigos não fazem mais sentido. E esse desastroso resultado fashion, ilustra muito bem a linha tênue entre o padrão social atual e a falta de conhecimento/entendimento de um convite que exija dress code. Não tem muito sentido. Principalmente, depois da década de 90, no qual, o conceito de individualidade passou a ditar o que seria a moda até os dias de hoje: uma mistura de passado e presente, de conceito e identidade, tornando a maneira de se vestir muito mais complexa do que simples modismos expostos à exaustão em blogs de street style.

Voltando para o tal convite da festa que te deixou com síndrome do pânico… Determinar o que se pode ou não vestir em um evento, não é a mesma coisa que definir um padrão de vestimenta. Hoje, o dress code pode até direcionar suas escolhas, mas não tem o papel de apontar o que é proibido ou muito menos de mau gosto.

Se você for homem e aparecer em uma festa cross dresser vestindo terno e gravata, vai se sentir um peixe fora d’água. Mas se estiver de salto stiletto, talvez não esteja tão fora da ideia inicial. E por mais que um boné John John seja cafona, ele transita de forma idêntica entre o baile funk, country, raver ou careta. Mesmo que ele tiver um logo de elefante cor de rosa, não ficará muito atrás dessa cafonice.
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MANIFESTO: POR UMA CENA GLS MELHOR



A noite GLS em Campinas passa por uma engrenagem interessante: de um lado, fórmulas repetidas à exaustão e de outro, uma fatia que clama por algo novo, algo que justifique uma saída de casa. Para arrematar, existe uma falta de respeito para com o Cliente, uma subestimação perante a nossa capacidade. Digo isso por experiência própria, como por exemplo, ao pedir um Mojito, ele chega com gosto de vodka Smirnoff sabor maçã-verde. Ou quando se está na pista e a mesma música da Rihanna toca três vezes. Ou quando o DJ antipático está lá na cabine fazendo suas mixagens truqueiras enquanto confere suas mensagens no celular. Ou quando o staff não é educado e acha que todo mundo que está em uma fila é VIP. E porque é VIP, tem que ser mal atendido. Ou quando um novo club inaugura e não tem staff suficiente para atender o público. E não te indeniza o preço pago pelo camarote. Ou quando funcionários despreparados marcam drinks errados na sua comanda. Ou quando o banheiro não está limpo e a filosofia da casa é tratar o Cliente de maneira diferenciada e especial. Ou quando você perde horas na fila para tentar usar o banheiro, porque não se investe em estrutura. E por aí vai...A real é que Empresários querem lucro e Clientes, mas se esquecem do atendimento que envolve mão de obra preparada, estrutura e respeito.

Passamos por uma cultura VIP que generaliza todo mundo. O fato é que ninguém mais paga para entrar em balada. Tem a lista do promoter, a lista do evento no Facebook, a lista da portaria, a lista da lista. E porque não paga, então tem que ser tudo meia-boca. Mas acontece que aqueles que pagam, aqueles que não possuem o nome na lista, literalmente pagam por tudo de ruim nessa onda amadora que vagueia a noite GLS campineira. E paga-se caro! Não sei se existe a possibilidade de mensurar quanto vale uma noite, mas as vezes o dinheiro é totalmente perdido quando você se depara com situações absurdas. E o pior, parece que o público está acostumado com isso e acha tudo muito normal. E houve um tempo em que as pessoas eram mais questionadoras...E o público também era melhor e mais informado.

Empresários devem deixar de ser apenas Empresários e voltar a ser Entertainers. Lidar com público é um dom, mas enquanto se tem a áurea de apenas querer ganhar dinheiro com isso, nada funciona corretamente e pintar uma parede de preto não é a resposta para tudo. Com tanta tecnologia por aí, pesquise, viaje, frequente outras baladas, converse com o público. Ninguém está na noite de favor. Quem me conhece sabe qual o lugar que mais frequento por aqui e vai por mim: a melhor iluminação de pista, a melhor acústica e o melhor som já existem. Mas as vezes é bom termos opções, desde que valham a pena. Conheço muita gente, mas muita gente mesmo que não sai mais de casa justamente por esse período tão ruim que passa a noite GLS de Campinas. E são pessoas formadoras de opinião, que foram treinadas pela noite em uma época que todo club cobrava entrada, todo DJ expressava conceito na pista, todo staff era educado, gogo boy não era diva e um inferninho era de fato um inferninho.

Não sei qual a justificativa de tanto club GLS na cidade já que praticamente todos têm a mesma cara, só muda o endereço. Alguns conceitos devem ser urgentemente revistos. Por favor!
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Vestido para matar: o bom gosto Gay de cada dia!


Reza a lenda, que em um reino muito distante, o homem possuía senso apurado para a música, paladar aguçado para novas experimentações gastronômicas, vocação para apostar em hypes que se tornariam populares depois de anos e uma latente condição libertária ao pregar um estado permanentemente avant-garde. E claro, esse cavaleiro meio dândi, meio hedonista sempre esteve alinhado com todas as tendências possíveis da moda pulverizadas pelos quatro cantos do mundo e de certa forma, alterando as engrenagens da própria moda.
Obviamente este homem é gay e milênios de guerras, revoluções e evoluções, nos deparamos com um fenômeno incontestável chamado Internet e a proliferação de blogs de estilo que visam perpetuar a lenda de que o gay é sempre moderno e sinônimo de extremo bom gosto ao se vestir. Será?

O homem, quando gay, é propenso a adquirir um senso de moda mais apurado do que o hétero. Não falo aqui dos metrossexuais, pois é uma categoria que tende a evoluir a forma careta e habitual que o homem hétero se veste, e ainda assim, é diferente da forma com que os homens gays se vestem. No caso dos metros, acabam por se tornar uma fórmula, como um catálogo de moda estrelado pelo David Beckhan. Uma hora ou outra, o metrossexual tem uma recaída e acaba por tirar do guarda-roupa uma das peças mais cafonas do universo masculino: a bermuda cargo.

No nosso caso, os gays, estamos mais abertos a acompanhar tendências e informações de moda, assim como repensar nosso estilo a cada temporada sem perder a nossa essência. Sabemos que a moda masculina passa por uma gradativa evolução e que a cada nova estação contesta os signos de um guarda-roupa que esteve estagnado durante séculos Nas últimas temporadas de desfiles internacionais vimos crescer a vontade de mudar a imagem do homem fazendo com que a roupa seja aliada à construção real de sua personalidade e não apenas uma afirmação da condição homem-macho-alfa imposta pelos paradigmas machistas. Por fim, evoluções da indumentária masculina acarretadas pela androginia dos anos 70, o unissex dos 80 e o underground dos 90 pluralizam cada vez mais o individualismo e o modo de se vestir do homem atual, principalmente dos gays.

O mercado da moda é feito pelo gay, que se encontra presente em várias engrenagens de sua construção. Alexandre Herchcovitch, Marc Jacobs, Tom Ford, Gianni Versace, Domenico Dolce e Stefano Gabbana são alguns nomes apenas para citar. Claro que a moda não nasce gay, mas agrega-se a ela alguns conceitos e preconceitos estabelecidos por meios que habitualmente “entende-se que o cara é gay porque usa determinada peça de roupa”.

Recentemente, tivemos uma prova concreta dessa situação onde na novela “Fina Estampa” apresentada pela Rede Globo entre 22 de agosto de 2011 a 23 de março de 2012, a personagem Crodoaldo Valério ou “Crô”, vivido pelo ator Marcelo Serrado, desfilou peças calcadas na alfaiataria masculina e apresentadas em um assertivo stylist não habitualmente visto por aqui no Brasil. Pela primeira vez, pudemos conferir na TV uma personagem gay com um senso real de informação de moda em seu figurino. Com um fundamento completamente europeu em se vestir, a personagem popularizou o cardigan, assim como a bermuda de alfaiataria e para os mais desavisados, “era uma forma gay de se vestir”. E virou moda entre os gays. Hoje, ninguém mais tem preconceito em vestir uma bermuda de alfaiataria, mas na época da novela – que não faz tanto tempo assim, a peça era erroneamente referida como “bermuda do Crô”.

O Verão 2014 promete trazer algumas discussões referentes à questão de gênero. A última semana de moda masculina internacional colocou em pauta justamente a androginia onde marcas como JW Anderson, Comme des Garçons, Moncler, Jil Sander, Saint Laurent e Raf Simons flertaram com proporções diretas do guarda-roupa feminino apostando em plissados, formas alongadas e tops. Há muitas décadas víamos justamente o contrário.

Marcas desejo como Prada, Phillip Lim, Dries Van Noten, Gucci, Balenciaga, Dior Homme, Versace, Dolce & Gabbana, Louis Vuitton, Marc Jacobs e Lanvin, ainda que pulverizadas, também apostaram em signos femininos e mostraram em suas passarelas proporções, texturas e cores agregadas ao floral, transparência, túnicas e sobreposições não habituais ao guarda-roupa masculino.

Até a alfaiataria foi revisitada na fluidez de ternos, trench e calças como no desfile marcante de Ermenegildo Zegna assim como no desfile da Hermès onde Véronique Nichanian, diretora criativa da marca, apresentou uma sequencia de ternos descombinados que evocaram um certo ar cool e que renova de fato um dos itens mais icônicos do nosso guarda-roupa. Até as redes de fast-fashion nacionais como C&A, Renner e Riachuelo estão adotando aos poucos essa nova forma de ver a moda masculina. Até a coleção passada, dificilmente encontraríamos em suas araras uma camisa manga-longa de poás.

Em um universo paralelo, os blogs de street style masculinos crescem mais a cada dia na web. Se as ideias de uma semana de moda aplicadas a uma passarela funcionam perfeitamente, na vida real é diferente e tudo vira um samba descontrolado, onde incansáveis blogueiros mostram o look do dia como se fosse o “último grito da moda” – amo essa expressão.

A discussão é permanente: isso é gay ou não é gay? Isso é de bom gosto ou de mal gosto? Por eles, encontramos formas de vestimenta que se aproximam mais do figurino de um show de drag-queen do que de fato, algo que prevaleça o senso de moda ou o bom gosto. Não falo aqui do conjunto t-shirt listrada + bermuda de alfaiataria + dock-side que se tornou o look preferido dos menos criativos de plantão. Falo aqui da calça floral print, do body preto e do casado animal print. Tudo em um mesmo look. Já a máxima de que o homem gay é moderno e sinônimo de bom gosto cai por terra, dando vazão para um novo e resumido preceito: além de bicha, é cafona!
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