8.11.17

"Alias Grace" é a série que você precisa assistir já


Desde que a obra de Margaret Atwood veio à tona com a série "The Handmaid's Tale", produzida pelo canal de streaming Hulu, não se fala em outra coisa, a não ser a criatividade e talento da escritora para discutir contemporaneidade através de histórias adultas e conceituais. Eis que na Netflix, estreou a série "Alias Grace", baseada no romance homônimo de 1996 de Atwood e adaptado por Sarah Polley. 

Esta é a terceira adaptação de uma obra de Margaret Atwood, a primeira foi a animação "Wandering Wenda" baseada em "Wandering Wenda and Widow Wallop’s Wunderground Washery" produzida pela CBC no Canadá e exibida entre maio e agosto de 2017. A segunda obra a ser adaptada foi "The Handmaid's Tale", que conquistou oito Emmys em 2017, produzida pela MGM Television e exibida exclusivamente pelo serviço de streaming Hulu, como já citado acima. 

Baseada em fatos reais, "Alias Grace", a série, conta a história de Grace Marks, uma imigrante irlandesa no Canadá que, com 16 anos, em 1843, foi acusada de matar seu patrão e sua governanta e sentenciada à prisão perpétua. Depois de 15 anos, um médico vem ao seu encontro para entrevista-la e tentar provar sua inocência, mas ela afirma não ter nenhuma lembrança do ocorrido. Ao longo dos seis episódios de 45 minutos somos guiados pela dúvida: será que Grace Marks é culpada ou inocente?

Através do viés histórico de Margaret Atwood, o futuro distópico - e não tão distante - de "The Handmaid's Tale" encontra em "Alias Grace" um ambiente em que a violência doméstica existe e revela o forte machismo que afetava a vida das mulheres na metade do século XIX – e, em muitos casos, afeta até os dias de hoje. É um ataque velado e extremamente íntimo, que poderia ser entendido por muitos como um comportamento normal às pessoas que viveram aquele período. E é nisso que reside a força de “Alias Grace”.

O drama é uma produção original da Netflix e todos os episódios estão disponíveis desde 3 de novembro. O elenco conta com Sarah Gadon (Grace Marks), Edward Holcroft (Dr. Simon Jordan), Zachary Levi (Jeremiah the Peddler), Anna Paquin (Nancy Montgomery), Kerr Logan (James McDermott), Michael Therriault (Sr. McDonald), Paul Gross (Thomas Kinnear) e o diretor David Cronenberg, em uma incrível interpretação no papel do Reverendo Verringer, um dos que acreditam na inocência de Grace.  

A série já conquistou a crítica, que não tem economizado elogios ao elenco e ao roteiro. A comparação com a última adaptação de Margaret Atwood para a televisão foi inevitável e a maior parte dos críticos concorda que, apesar de abordar o mesmo tema de formas completamente diferentes, "Alias Grace" não fica atrás de "The Handmaid's Tale" em qualidade. E ainda que todo o elenco realize um ótimo trabalho, quem realmente brilha em seu papel é Sarah Gadon (que também produz a série), em uma interpretação sutil, envolvente e poderosa de Grace Marks. 

Se Grace Marks é uma assassina ou não, não contaremos aqui. A série conseguiu reproduzir muito bem os detalhes do Canadá da época, desde o figurino e o sotaque irlandês da protagonista até a prisão e a forma de trabalho das detentas. É uma bela forma de conferir como funcionava o patriarcado e como essa engrenagem respinga em nosso sistema nos dias de hoje. Vale a pena correr pra Netflix e conferir por si. Ainda vamos ouvir falar e muito sobre Margaret Atwood...

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