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10.11.17

A primeira Vogue UK sob o comando de Edward Enninful


A confirmação da saída de Alexandra Shulman da Vogue Britânica em abril deste ano agitou o mundo da moda. Depois de 25 anos, a lendária editora chefe foi substituída por Edward Enninful, que no próximo mês de dezembro apresenta a primeira edição sob seu comando. Enninful assumiu o cargo de editor-chefe em agosto. Não só Shulman, mas também Lucinda Chambers, que trabalhou 36 anos como editora de moda também foi descartada nesse meio tempo. O assunto gerou pano pra manga entre acusações e quebra de código de silêncio, revelando mágoas e afins. Mas agora, a Vogue Britânica parece renascer - e essa é a intenção - nas mãos de Edward Enninful e sua nova equipe, formada por um time estreladíssimo de profissionais como Grace Coddington, Steve McQueen e a dupla de tops Naomi Campbell e Kate Moss como colaboradores. A super badalada Pat McGrath foi noemada como editora de beleza, enquanto Val Garland, Sam McKnight, Guido Palau e Charlotte Tilbury irão contribuir com conteúdos para a mesma área.

"Todos são inspiradores e altamente conceituados em seus campos individuais, estou realmente entusiasmado por ver a minha visão para o time da Vogue britânica se concretizar", disse Edward Enninful ao anunciar suas aquisições em julho deste ano. "Estou ansioso para trabalhar com todos", conclui.

Para marcar essa transição, a modelo britânica Adwoa Aboah foi escolhida para a capa e recheio da primeira edição sob os comandos de Edward Enninful. As fotos ficaram por conta de Steven Meisel, sendo seu primeiro trabalho depois de 25 anos sem aparecer na revista. Vestindo Marc Jacobs, o visual traz uma vibração bem anos 60, com a modelo irradiando altas energias para essa nova fase da Vogue UK, misturando o passado e o presente perfeitamente, indo contra a maré daquela fatídica capa de junho com Alexa Chung e a camiseta Michael Kors, que na época, a própria Lucinda Chambers confessou que não havia gostado: "Um lixo", disse em entrevista polêmica ao blog de moda de viés acadêmico chamado “Vestoj”.

E pelo jeito, a mudança proposta por Enninful traz um apelo social bem forte, já que Adwoa, aos 24 anos, comanda há um ano e meio o Gurls Talk, plataforma digital fundada por ela para promover a discussão entre mulheres sobre autoimagem, saúde mental e sexualidade. A ideia surgiu depois de Adwoa tentar suicídio, em 2015, após anos lutando contra as drogas e a depressão. "Comecei a trabalhar como modelo aos 12 anos, mas não me sentia confortável em meu próprio corpo", diz ela. Em março passado, ela gravou um vídeo para a instituição Heads Together (encabeçada por Kate Middleton e os príncipes Harry e William), no qual conta, em um papo com a própria mãe - Camilla Lowther, dona de uma das agências mais influentes da indústria da moda, que representa profissionais como Tim Walker e Katie Grand - como venceu a batalha contra o vício. Além de capa, Adwoa Aboah também ganhou o cargo de editora contribuinte da revista. A modelo também já foi eleita como uma das 50 pessoas mais influentes da moda pelo “Business Of Fashion” e disputada por marcas como Marc Jacobs, Versace e Chanel, 

Nos seus pouco mais de cem anos de existência, a Vogue britânica sempre teve mulheres brancas no comando: Elspeth Champcommunal (1916-1922), Dorothy Todd (1922-1926), Alison Settle (1926-1934), Elizabeth Penrose (1935-1939), Audrey Withers (1940-1960), Alisa Garland (1960-1964), Beatrix Miller (1964-1984), Anna Wintour (1985-1987), Elizabeth Tilberis (1988-1992) e Alexandra Shulman (1992-2017).



E quem é Edward Enninful?


Natural de Gana, Edward Enninful se mudou para Londres, onde passou a infância com sua família. Aos 16 anos, foi visto no trem pelo editor e estilista britânico Simon Foxton, que o abordou e disse que ele deveria virar modelo. Fez justamente isso. Ainda na adolescência, Enninful decidiu que gostaria de trabalhar em uma revista. Logo antes de completar 18 anos, virou assistente de Beth Summers, editora de moda da revista britânica i-D. Apesar de ter que conciliar o trabalho na revista com a carreira de modelo e com a vida de estudante, ele tornou-se, aos 18 anos, o diretor de moda mais jovem da história da publicação. Em 1998, ele passou a ser colaborador da Vogue italiana e, em 2005, começou a colaborar também com a Vogue americana, já sob o comando de Anna Wintour.

Em 2008, Enninful foi um dos responsáveis pela "black issue" da Vogue Itália. A edição é hoje considerada uma das mais icônicas não só da franquia Vogue, como também do mercado editorial de moda em geral. As quatro capas com as modelos Naomi Campbell (do Reino Unido), Liya Kebede (da Etiópia), Jourdan Dunn (do Reino Unido) e Sessilee Lopez (dos EUA) são itens dce colecionadores e valem muito no mercado especializado. Teve tanto sucesso que esgotou nas bancas do Reino Unido e dos EUA em 72 horas. A Vogue italiana mandou rodar outras 60 mil cópias da revista: 30 mil para o mercado americano, 20 mil para a Itália e outras 10 mil para o Reino Unido. A então editora-chefe da publicação, Franca Sozzani, disse em entrevista à revista americana Time que a edição foi inspirada pelo potencial inexplorado das modelos negras e pela candidatura do então candidato à Presidência dos EUA, Barack Obama.

Em 2011, Enninful foi trabalhar na revista W, onde permaneceu até assumir o cardo de editor-chefe da Vogue UK. 

Visões políticas

Em sintonia com a editora-chefe da Vogue americana, Anna Wintour, Enninful se mostrou simpático ao ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama. Quando seu sucessor, Donald Trump, tomou posse em janeiro, Enninful postou em seu perfil no Instagram uma foto sua com a ex-primeira-dama Michelle Obama. A legenda dizia: "Adeus a @barackobama e @michelleobama44!! Obrigado por fazer a América ser linda. Vocês deixarão saudade".

Dentro da área de moda, Enninful diz apoiar uma iniciativa de saúde de Wintour dentro do Conselho de Designers de Moda da América (CFDA), que argumenta pelo uso de modelos menos magras. "Sou favorável a mulheres lindas e saudáveis. Cindy (Crawford), Naomi (Campbell)...Elas eram (tamanho) oito, dez (na medida do Reino Unido). Elas eram mulheres incríveis, não insetos magérrimos", disse em entrevista ao site Models.com, em 2010. Nos padrões brasileiros, no entanto, Crawford vestiria tamanhos "P" durante sua carreira.

Prêmios

Ao longo da carreira, Enninful recebeu diversos prêmios por seu trabalho. A homenagem mais recente veio da realiza britânica em outubro - ele ganhou a medalha da Ordem do Império Britânico da princesa Anne. O reconhecimento foi atribuído a seus esforços para tornar a indústria da moda mais diversa. Em 2014, ele recebeu o Prêmio de Moda Britânico, a principal premiação do gênero no país e uma das mais importantes do mundo, na categoria Isabella Blow de criação de moda.

Fonte: BBC Brasil - bbc.com

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