"Looking" estreia na HBO com a intenção de mostrar o "gay real"


Teve estreia no dia 19 de janeiro, o primeiro episódio de "Looking", a mais nova aposta do canal pago HBO. Criada por Michael Lannan, Sarah Condon ("Bored To Death") e David Marshall Grant ("Smash", "Brothers & Sisters"), a história é uma adaptação do curta "Lorimer", de Lannan, lançado em 2011 com oito minutos de duração. A série acompanha a saga de três amigos na cidade de São Francisco (Califórnia, EUA), conhecida mundialmente pela sua cena gay:  Patrick (Jonathan Groff), um jovem de 29 anos de idade que trabalha como designer de video game, Agustín (Frankie J. Alvarez), 31 anos e artista plástico e Dom (Murray Bartlett), 39 anos, o mais velho da turma e que trabalha como garçom. Pela sinopse, não há como não comparar "Looking" com "Sex And The City' ou "Girls", não propositalmente, séries também produzidas pelo mesmo canal. Porém, a principal diferença de "Looking" é flertar entre os momentos embaraçosos  e hilários de "Sex And The City" e o drama neurótico exposto em "Girls", mas com bem menos pretensão. O mais interessante ainda, é que a série pretende não trazer os clichês novelescos de "Queer as Folk", grande referência de série gay já produzida para a TV. E nos dias de hoje, quem não procura algo real?

Da esquerda para a direita, Agustín (Frankie J. Alvarez), Patrick (Jonathan Groff) e Dom (Murray Bartlett), protagonistas da série "Looking"

O primeiro episódio de "Looking" já mostra a que veio: logo na cena inicial temos Patrick "caçando" em um parque, quase ganhando um sexo oral quando o celular toca e estraga toda a festa. Um encontro acontece na sequência, quando Patrick entrega que momentos antes estava caçando em um parque e o futuro pretendente, que visivelmente não lhe agrada muito, cai fora cheio de questionamentos moralistas na cabeça e no discurso. No decorrer do episódio, entendemos que Patrick acaba de terminar um noivado e ao retornar para o status de solteiro, se encontra completamente perdido e à procura. Já Augustín e Frank (O. T. Fagbenle), cujo relacionamento parece ser o ideal de todo o gay, planejam morar juntos. Mas Augustín, cuja palavra "monogamia" não faz parte de seu dicionário, se interessa pelo seu assistente, o apresenta a Frank e acaba rolando uma transa a três. E eis que surge um dos questionamentos mais reais nas palavras de Frank: "Levaremos um relacionamento assim?". Dom, cuja vida não lhe foi muito grata no quesito profissional, se depara com um ex-namorado muito bem sucedido, o que faz com que questione qual seu papel no universo e porque as coisas não lhe tem dado muito certo. A famosa e difícil crise da meia idade para um gay que até então preconizava o hedonismo típico do universo homossexual.

Apresentados os personagens, nos deparamos com uma série que pretende trazer questões reais e simples do mundo gay como a busca por um  relacionamento, sexo, fidelidade, amadurecimento, auto-estima, amizade como núcleo familiar, promiscuidade, amor, entre outras questões que fazem parte do universo de qualquer orientação sexual, já que não é difícil se identificar com as situações e diálogos. O interessante também  é que os atores estão mais próximos de uma realidade comum de beleza, nada de corpos sarados e estereotipados. Acaba-se relevando um certo estranhamento devido à espontaneidade das cenas, com uma edição simples e cortes não muito bruscos, fazendo com que nos sentimos dentro da história dos três amigos. A afetação chega no ponto certo, com piadas internas não muito difíceis de se entender, mas que aos poucos fazem mais sentido quando conhecemos mais o universo de cada personagem. Pontos para o casting que se encontra mais que afinadíssimo e bem a vontade em cenas tanto quentes quanto corriqueiras. 

A primeira temporada de "Looking" contará com 8 episódios de pouco mais de meia hora de duração e terá exibição simultânea pela HBO no Brasil e nos Estados Unidos. E para você que quer acompanhar a série, mas não tem acesso ao canal, clique aqui e assista online!


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