Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016 e a Diversidade Sexual

Tom Daley, Mergulho, Grã Bretanha, assumiu ser gay em 2013

Diante dos avanços conquistados pelos movimentos lgbts em todo o mundo, que coloca em pauta a homofobia e suas diversas expressões, com certeza é mais fácil ser homossexual hoje do que em outros tempos. E isso vale também para o esporte, mesmo sendo este um dos ambientes mais heterossexistas da atualidade. Sendo assim, os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016, que se inicia oficialmente na próxima sexta-feira, 05/09, será paradigmático no quesito diversidade sexual.

Há uma falácia em dizer, ou acreditar, que existem esportes de homem, que exigem força e destreza ou de mulher, que exigem graciosidade nos gestos, existem apenas modalidades esportivas historicamente destinadas para cada gênero. Os atletas devem ser julgados por suas habilidades, técnicas, condutas esportivas, até por suas atitudes extra área de atuação, mas não por sua sexualidade. Assim como a diversidade na modalidade dos esportes, também devemos ser receptivos à diversidade na sexualidade de quem os pratica.

Há poucos dias para o inicio deste festival de músculos, tríceps e bíceps, estamos tod@s ansios@s para torcer por nosso país e para apreciar corpos e performances, além de conferir quais são os atletas que estão dando representatividade para a comunidade LGBT. Serão 35 atletas LGBTs assumidos que vão participar desta edição dos jogos.

O Brasil aparece com três representantes assumidos!!! Larissa Franca, no vôlei de praia, que sempre conta com a torcida de sua esposa quando joga. Ian Mattos, gato moreno do mergulho brasileiro. E Mayssa Pessoa, do handebol, destaque na seleção brasileira. A Grã Bretanha traz sete atletas e ganha o ouro neste quesito, seguida pela Holanda e Estados Unidos com a prata e bronze, com quatro atletas lgbts cada delegação!

Ao verificarmos a divisão por gênero, percebemos que o número de mulheres lésbicas é muito maior do que o de homens gays. Uma explicação possível é que machismo e a homofobia são bem mais presentes no ambiente de troca masculino, o que dificulta a saída do armário, tanto psicologicamente, quanto profissionalmente.

Confira a relação de atletas:

Brittney Griner, Basquete, E.U.A

Jeffrey Wammes, Ginástica Rítmica, Holanda

Alexandra Lacrabere, Handebol, França

Angel McCoughtry, Basquete, E.U.A

Ari Pekka Liukkonen, Natação, Finlândia

Ashley Nee, Caiaque, E.U.A

Carl Hester, Hipismo, Grã Bretanha

Carlien Dirkse van den Heuvel, Hockey de Grama, Holanda

Caroline Seger, Futebol, Suécia

Caster Semenya, Atletismo, África do Sul

Dutee Chand, Atletismo, Índia

Edward Gal, Hipismo, Holanda

Hans Peter Minderhoud, Hipismo, Holanda

Hedvig Lindahl, Futebol, Suécia

Ian Matos, Mergulho, Brasil

Kate e Helen Richardson Walsh, Hockey, Grã Bretanha

Katie Duncan, Futebol, Nova Zelândia

Lisa Dahlkvist, Futebol, Suécia

Maartje Paumen, Hockey, Holanda

Marie-Eve Nault, Futebol, Canadá

Megan Rapinoe, Futebol, E.U.A

Melissa Tancredi, Futebol, Canadá

Mayssa Pessoa, Handebol, Brasil

Michelle Heyman, Futebol, Austrália

Nadine Müller, Arremesso de Discos, Alemanha

Tom Daley, Mergulho, Grã Bretanha

Nicola Adams, Boxe, Grã Bretanha

Nilla Fischer, Futebol, Suécia

Robbie Manson, Remo, Nova Zelândia

Seimone Augustus, Basquete, Estados Unidos

Spencer Wilton, Hipismo, Grã Bretanha

Stephanie Labbe, Futebol, Canadá

Susannah Townsend, Hockey, Grã Bretanha

Tom Bosworth, Maratona, Grã Bretanha

Larissa Franca, Vôlei de Praia, Brasil

Tratar das diversas formas de viver as sexualidades na sociedade contemporânea, tendo como parâmetro para isso a perspectiva da defesa da livre expressão da sexualidade e das intervenções sociais sobre o corpo, pelas práticas sociais e conseqüentemente pelo esporte se caracteriza, sobretudo como um duro desafio. Para esses atletas, viver no mundo dos esportes representa um duro desafio. Significa atravessar conflitos com uma sociedade historicamente estagnada nos valores burgueses, heterossexistas, embora a aceitação varie de acordo com a cultura de cada país.

Lea T

Definitivamente os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016 chegam para celebrar a diversidade sexual. Ao lado de Elza Soares, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Anitta, Lea T integra o time de celebridades, cuja participação já foi confirmada, na solenidade de abertura. Em entrevista à BBC Brasil, a modelo internacional declarou não poder revelar detalhes de sua participação, mas disse que representará a necessidade de se combater o preconceito. "Não posso falar nada ainda, precisamos manter a surpresa. Mas a mensagem será muito clara: inclusão. Todos, independente de gênero, orientação sexual, cor, raça ou credo, somos seres humanos e fazemos parte da sociedade. Meu papel na cerimônia, num universo micro e representativo, ajudará a transmitir esta mensagem", diz Lea T. E conclui: "Neste momento em que o Rio de Janeiro e o Brasil serão apresentados ao mundo, é imprescindível que a diversidade esteja presente. O Brasil é muito vasto, e toda essa diversidade precisa, de alguma forma, ser representada em um evento como esse. Foi justamente isso que me motivou a aceitar o convite para participar da cerimônia de abertura", explica.

Diante do atual quadro mundial de discriminação, desde 2003, a Comissão Médica do Comitê Olímpico Internacional (COI) passou a se pronunciar a favor de que atletas que tivessem passado por cirurgias de mudança de sexo pudessem competir sob o novo gênero nos Jogos. E, em respeito às pessoas transexuais, a Comissão Organizadora desses jogos olímpicos não divulgou nem o nome e nem a quantidade de atletas trans que estarão participando das competições.

Agora é torcer para que nossos representantes subam no pódio e conquistem medalhas.


Autor: Paulo Reis - Doutor em Educação, Ativista LGBT e Consultor em Gênero e Direitos Humanos
Contato: re_pare@yahoo.com.br

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